A pasta informou que a fiscalização tem como objetivo verificar a situação atual da área depois de o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) avisar que concluiu os reparos estruturais e a limpeza necessários para solucionar o problema.

Segundo o Dmae, o vazamento seria pontual em uma rede localizada a cerca de dois quilômetros do parque.
Os resultados da vistoria técnica realizada pela Secretaria serão incorporados aos autos do processo e encaminhados ao Ministério Público.
Caso é investigado desde o começo do ano
Imagens mostravam acúmulo de lixo e vegetação próxima a tubulação pluvial dentro da área de preservação. Após a denúncia, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente iniciou a retirada de entulhos.
Em entrevista à TV Integração, Ana Bonfim, bióloga responsável pelo laudo técnico de constatação de Crime Ambiental na Unidade de Conservação, relatou que o problema, encoberto por bambuzais e vegetação densa, pode estar ocorrendo há mais de duas décadas, desde a instalação de manilhas que deveriam conduzir apenas águas pluviais.
“Essa mancha esbranquiçada [na água] que parece uma nata são resíduos de sabão e produtos de limpeza, típicos de esgoto doméstico”, explicou.
🔎A tubulação de água pluvial é o sistema de drenagem responsável por coletar e conduzir a água da chuva separadamente do esgoto doméstico.
Laudo técnico acusa dano ambiental
Em maio deste ano, Ana Bonfim produziu um laudo final e encaminhou ao Ministério Público. O documento reúne e consolida as principais evidências técnicas coletadas.
O relatório afirma que há um processo contínuo de degradação ambiental no Complexo Parque do Sabiá, com risco de colapso ecológico.
Foram identificados:
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Níveis altos de matéria orgânica (DBO);
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Grande concentração da bactéria Escherichia coli, indicando contaminação por esgoto;
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Oxigênio dissolvido praticamente zerado, caracterizando um ambiente incapaz de sustentar a vida aquática.
O laudo sustenta ainda que a degradação ambiental não teria sido causada por um episódio isolado, mas por um processo prolongado de contaminação, por conta de:
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Assoreamento e erosão do terreno;
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Morte da vegetação ciliar;
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Árvores com raízes expostas;
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Lixo antigo acumulado entre as raízes;
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Adoecimento e morte de buritis, espécie considerada indicadora da qualidade ambiental.
Em nota, o Ministério Público informou que a investigação segue e os resultados da vistoria técnica realizada pela Semad serão incorporados aos autos do processo para subsidiar o acompanhamento do caso.
O que diz a Futel
No começo do ano, o diretor-geral da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel), Edson Zanatta, responsável pela administração do parque, disse que atua há mais de sete anos na gestão e que vazamentos como esse ocorrem “pontualmente”, mas sem causar contaminação.
Segundo ele, análises da água são feitas de forma recorrente e, quando há irregularidades, o Dmae é acionado para resolver imediatamente o problema.
A TV Integração procurou a Futel para se posicionar em relação à vistoria desta quinta-feira (2). A assessoria confirmou a fiscalização, mas disse que não iria falar sobre o assunto.
O que diz o Dmae
Em março, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou que identificou e corrigiu ligações cruzadas entre as redes de esgoto e drenagem na zona Leste de Uberlândia, próximas ao bairro Grand Ville.
As irregularidades provocaram o lançamento indevido de esgoto em parte da represa artificial do Parque do Sabiá. Além da correção dos pontos irregulares, a autarquia realizou a limpeza da represa a pedido da Futel.
O órgão informou que a investigação desse tipo de problema é complexa, pois a origem da irregularidade nem sempre coincide com o local onde seus efeitos aparecem. Por isso, as inspeções seriam contínuas em toda a cidade.
O Dmae também destacou que ampliou o uso de vídeo inspeções nas redes de drenagem e esgoto para facilitar a identificação de ligações cruzadas e reforçou a importância da colaboração da população na identificação de novas ocorrências.
Um novo posicionamento foi solicitado ao Departamento para esclarecer se alguma outra limpeza e monitoramento foram feitos após março e aguardamos retorno.
Por: G1