Coordenada pela Polícia Federal (PF) e com participação das polícias Militar, Civil e Penal, a operação mobiliza cerca de 160 agentes. A Justiça também autorizou o bloqueio de até R$ 61 milhões em bens ligados aos investigados.
Segundo as investigações, o grupo atuava há pelo menos um ano e meio de forma estruturada e contínua. Os suspeitos tinham divisão de tarefas e uma logística organizada para transportar drogas, principalmente maconha, do Mato Grosso do Sul para o Triângulo Mineiro e outras regiões do país.
A quadrilha utilizava a chamada “rota caipira”, considerada estratégica para o tráfico entre as regiões Centro-Oeste e Sudeste. Para dificultar a fiscalização, os criminosos usavam comboios com veículos carregados e carros “batedores”, que seguiam à frente e atrás para avisar sobre possíveis operações policiais.
De acordo com a PF, as apurações também indicaram o uso de tecnologia de ponta, como internet via satélite, o que permitia comunicação constante mesmo em áreas rurais. Além disso, o grupo usava estradas vicinais, fazia deslocamentos durante a noite e recorria a veículos clonados ou registrados em nome de terceiros.
Operação Luxury ocorre em três estados
A Operação Luxury corre simultaneamente em Minas Gerais, São Paulo e Mato Grosso do Sul e o nome faz referência. O nome faz referência à vida de luxo ostentada pelos alvos da investigação.
Segundo a Polícia Federal, os principais alvos da operação estão em Uberlândia, onde ficam integrantes ligados à chefia da organização criminosa e ao núcleo financeiro da quadrilha.
Em Uberaba, as investigações identificaram o núcleo responsável pelo transporte da droga, incluindo motoristas e os chamados “batedores”.
Já em Mato Grosso do Sul, o grupo buscava a droga que era distribuída para o Triângulo Mineiro e outras regiões. Dois dos principais investigados se mudaram recentemente para São Paulo, após venderem uma casa em um condomínio de luxo em Uberlândia.
A PF começou a investigar o grupo criminoso após a apreensão de cerca de 1,1 tonelada de maconha, em abril de 2025, na cidade de Frutal, no Triângulo Mineiro. A partir desse caso, os investigadores conseguiram relacionar os suspeitos a outras remessas, que somaram aproximadamente 5,9 toneladas da droga apreendidas ao longo das investigações.
Além do tráfico de drogas, os investigados também são suspeitos de lavagem de dinheiro. Segundo a polícia, o grupo usava empresas de fachada e “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos recursos.
Ao todo, são cumpridos 22 mandados de prisão preventiva e cinco de prisão temporárias. A Operação Luxury é considerada a maior ação do ano da Polícia Federal em Minas Gerais.
Em Uberlândia, mandados de busca e apreensão foram cumpridos em condomínios de alto padrão na região sul da cidade. Durante a ação, veículos de luxo, como Porsche, BMW e Hilux, foram apreendidos.
Até o início da manhã, 24 pessoas já haviam sido presas, e mais de 20 veículos foram recolhidos pelos policiais.
A Polícia Federal realizará uma coletiva de imprensa às 10h, em Uberlândia, para apresentar os resultados da operação.
Por: G1